sexta-feira, 20 de novembro de 2009

JORNAL ÚLTIMO NÚMERO "O ESTILHAÇO"


Capa do último número do Jornal elaborada pelo 2º.Comandante Major Rubi Marques

RECORDANDO O DISCURSO PRONUNCIADO PELO EXMº.COMANDANTE JOSÉ FRANCISCO SOARES NO DIA 4 DE AGOSTO DE 1971 EM QUE O BATALHÃO COMPLETOU O 2º.ANIVERSÁRIO DA SUA COMISSÃO DE SERVIÇO EM ANGOLA.

"Passa hoje o segundo aniversário do ínicio da Comissão do nosso Batalhão.
As minhas palavras não são dirigidas apenas a vós que me escutais, mas também, e muito especialmente, aos nossos camaradas das CART.2559, 2560 e 2561.
Lembro a vossa chegada a Torres Novas e o ar assustadiço que muitos apresentavam e que, rápidamente, desapareceu.
Lembro a dureza da instrução, e o vos pronto acatamento a essa dureza, dentro do príncipio de que quanto mais duramente instruidos melhor seria a vossa preparação e, em consequência, maiores seriam as possibilidades de terem vantagens sobre o inimigo que se vos deparasse.
Lembro a instrução de aprefeiçoamento operacional em Santa Margarida, onde todo o Batalhão se reuniu e formou um todo coeso e unido por um são e construtivo espírito de corpo.
E nesta nossa fase de vida "metropolitana" lembro, sobre tudo, o vosso esforço, a vossa dedicação e o vosso espírito de disciplina.
Lembro, depois, o embarque em Lisboa e a vossa chegada a Luanda, o desejo de nos livrarmos dos mosquitos do Grafanil e partir para a nossa zona de acção, e, ainda, o ar, verdadeiramente "maçarico", com que enfrentamos a nossa primeira viagem pela "mata" e a nossa chegada ao Subsector de BESSA MONTEIRO.
Veio depois a fase das "luzes" de que todos hoje nos rimos, mas que é uma constante de todos os novatos em zonas como a que nos foi atríbuída.
Lembro a seguir a vossa rápida metamorfose, passado a combatentes conscientes e endurecidos, e lembro mais aqueles maus dias dos ataques às Bases da Junta, que tendo temperado e caldeado as vossa qualidades de ânimo e coragem, muito fizeram sofrer aos que, não sujeitos ao perigo, inteira e intensivamente o sentiram como bons irmãos de armas que fomos.
Veio, depois toda aquela intensa actividade operacional e sentido de segurança e ainda todo aquele interesse em melhorarmos as condições de instalação e de defesa, para nós e para os nossos vindouros, que os classifica a todos como verdadeiros soldados e verdadeiros homens.
Um dia, inesperadamente, veio a notícia do desmembramento do "nosso Batalhão", o que a todos muito desgostou. E assim foi: o Comando e a CCS vieram para o Luquembo, tendo as "nossas Companias" permanecido no Subsector de BESSA. E nesta altura, e em relação à CCS, tive eu, mais uma vez, a oportunidade de apreciar o vosso poder de adaptação e são optimismo, que rápidamente, sucedeu à decepção que todos sentimos.
Vindos de onde tínhamos adquirido perfeito conhecimento do terreno e do inimigo de onde nos sentíamos bem instalados e enraízados pelo hábito, deparou-se-nos o Luquembo com todas a suas deficiências. Foi uma batalha dura que encetámos, logo que aqui chegámos. a da melhoria de instalações.
Tivemos depois o prazer de se nos vir reunir, passados quatro meses da nossa saída de BESSA, a nossa CART.2559 que ficou sediada em NOVA GAIA, dentro do nosso actual subsector.
Embora com o nosso Batalhão dividido, todos demos o melhor do nosso esforço, no sentido do cumprimento integral da missão que nos foi dada, em relação ao nosso Subsector, missão essa que cumprimos com o maior esforço e boa vontade de Companhias que não sendo origináriamente nossas, passaram a ser. Cabe pois aqui uma referência de apreço e sincera gratidão à sempre pronta ajuda e colaboração que nos foi prestada pelas CCAÇ 2459, CCAÇ 2677 e CCAÇ 202.
Estamos hoje aqui, para comemorar o segundo aniversário do "nosso Batalhão", facto que todos se esforçaram para que fosse assinalado pela inauguração do edifício de Comando do novo Aquartelamento, que completa a primeira fase de construção do mesmo.
A todos quantos contribuiram para que esta obra tivesse realização, obra que é muito mais para os que nos vierem render do que para nós, quero eu agradecer, de todo o meu coração.
A todos os Oficiais, Sargentos e Praças, quero eu manifestar o meu maior apreço e gratidão pela conduta que sempre a todos norteou e que foi sempre dirigida no sentido do bom nome e do prestígio do Batalhão.
Neste momento, também sentidamente, lembro e para eles vai a nossa eterna saudade e gratidão, aqueles, dos nossos, que deram a vida pela Pátria e por esta promissora terra de Angola.
Embora possamos dizer que já temos dois anos de comissão, ainda não podemos dizer "Missão Cumprida". Dentro de dois meses, possívelmente, tal poderemos dizer e então teremos toda a satisfação de dever cumprido e do regresso às nossas casas.
Até lá vos peço que continueis a ser os mesmos, com aquela coragem, ânimo, sobriedade, resignação, estoicismo, capacidade de adaptação e sofrimento, de que sempre desteis provas e que fazem do Soldado Português um dos melhores do Mundo.
JOSÉ FRANCISCO SOARES
Ten.Cor. de Artª.c/CGEM
Comandante do B.ARTª.2883 

          
QUANTO VALEM AS NOTICIAS

Estamos no mato, aguarda-se a chegada do pássaro que trará ou não trará uma cartinha ou um aerograma, este último não de tanto agrado talvez por não se saber à primeira vista de quem será, se da pessoa mais querida ou de um camarada a chamar-nos "Maçarico" que o Velhinho" se vai embora. A carta tem mais importância.
Ouve-se o ruído do motor do avião e na Oficina auto o serviço pára por um momento, o bate-chapas pousa o martelo, o condutor pára o motor em experiência e por um momento tudo é silêncio, num de agradecimento ou para se verificar se é ou não o avião. Não há dúvidas. É ele mesmo. Dá duas voltas por cima do aquartelamento e algumas viaturas encaminham-se para a pista. Não faltam voluntários para ajudar a tirar a carga do avião e a seguir levanta voo com destino a outras unidades também levar o tão desejado saco do correio. Todos dizem um Adeus até à próxima.
O correio chegou e começa a juntar-se um grupo à porta da Secretaria, onde lá dentro o Cabo David separa o correio. A atenção de todos vai para a porta sempre à espera de ver o molhinho de cartas e aerogramas entre a mão do distribuidor.
Este aparece e faz soar em voz alta: - CORREIOOO!
Escolhe-se o melhor lugar para a distribuição e muitas vezes em cima do Unimog é feita a distribuição.
A ansiedade de notícias é sentida por todos, eu senti e sei o que está sentindo o meu camarada do lado, até porque na semana passada não tive correio. Desta vez devo ter, mas ainda não fui chamado; será possível? Não! Não pode ser!...
Uma espreitadela e verifica que ainda falta um bom bocado para acabar o molhinho de cartas e aerogramas. Eis que acabou a distribuição e quantas ilusões se vão, não veio nada. Paciência, talvez para a semana tenha mais sorte.
Após isto o grupo divide-se isoladamente, aqueles que tiveram uma mensagem , lêem e relê-em as notícias acabadas de chegar. Para alguns boas notícias e bem se lhes conhece no rosto. Para outros, não são tão favoráveis e a angústia aparece nas suas faces. E quantas vezes ainda com o ânimo e humorismo mandam respostas de conforto aos familiares.
Recordo aquele dia em que o meu camarada e grande amigo veio ao meu encontro, e logo percebi que as coisas não iam bem, pois este sem palavras estendeu-me a carta que acabava de receber. Mesmo antes de ler compreendi o que seria pelo aspecto do meu bom amigo e acabando de ler cheguei à certeza. Aquela a quem ele depositou tanta confiança, a quem achava ser tudo o que lhe podia dar conforto, tudo quanto se se passou para ela foi banal e não soube avaliar o amor daquele que aqui longe em todos os momentos recordava com saudade a sua imagem.
Mas como o seu espírito era fraco e sem valor acabava com tudo secamente, falando ainda do seu novo amor. Eu compreendi o sofrimento do meu camarada, pois é difícil na situação presente receber tal notícia.
Como uma mulher é capaz de descer tão baixo!
Como sincero amigo disse-lhe o que achava como homem. Alguns dias se passaram. Foi um golpe difícil, mas senti alegria quando vi recuperado o seu estado de espírito.
Valoroso o seu procedimento encarando a realidade cruel que a vida lhe trouxe, mas estou certo que ele regressará à sua Terra Natal e será respeitado como bom soldado que foi e como homem de carácter na vida civil.
Para ti camarada que soubeste encarar o teu sofrimento vai a minha admiração e estima, desejando-te as maiores aventuras pela vida fora.
Estou certo que encontrarás a verdadeira esposa que bem mereces.
Para as jovens, (esposas, namoradas, madrinhas de guerra e familiares) que tanto contribuíram com o verdadeiro Amor e Carinho para que os seus rapazes passassem uma comissão com a moral elevada, contribuindo assim para o seu bem estar, o meu muito obrigado.
João Ferreira Almeida
1º.Cabo Rec.Inf.
Publicado no último número do Jornal "Estilhaço" em Setembro de 1971

NOTA DO AUTOR DO BLOGUE
O artigo que se segue foi publicado pelo Sr. Major Rubi Marques, 2º.Comandante do nosso Batalhão no Jornal "Estilhaço" em Setembro de 1971.
Hoje todos nós falamos deste flagelo com preocupação, mas quero acentuar que 41 anos passados já o autor tinha essa preocupação ao escrever o texto, alertando para a necessidade de se tratar urgentemente do nosso planeta, de modo a inverter este flagelo.
Na altura da publicação, estou convencido que a maioria do pessoal militar, leu o texto mas não deu grande atenção ao perigo que representa a poluição.
Concluo agora; que mais de quatro décadas se passaram depois desta publicação, apesar de agora se ter uma consciências maior reconhece-se que pouco ou nada se tem feito neste domínio "mundialmente." claro.
O Autor do Blogue.
Fernando David

A POLUIÇÃO
O FLAGELO DA HUMANIDADE
1. A NATUREZA
A cobertura vegetal terrestre, através dos séculos, enriqueceu a atmosfera - delgado invólucro gasoso que envolve  o nosso planeta - com ar puro, o qual é constituído por uma mistura de gases, essencialmente oxigénio e azoto, na proporção de 21 partes do primeiro para 79 do segundo . O ar contém ainda árgon, dióxido de carbono, vapor de água e vestígios dos chamados "gases raros" como o néon, o crípton, o xénon, o hélio e outros, e, finalmente, bactérias, que se acham nas poeiras microscópicas, em suspensão no ar.
Similarmente nas águas (doces e salgadas) há uma suspensão um conjunto de plantas microscópicas, chamadas "plâncton vegetal" ou"fito-plâncton", que produz o oxigénio que há nelas dissolvido. A água contém ainda em solução outros gases e sais e, em suspensão, poeiras e bactérias.
As misturas existentes no ar e na água têm sido conservadas com uma precisão misteriosa, segundo as leis da natureza, pelas plantas, pelos animais e pelas bactérias, que usam e desenvolvem os gases em proporções iguais. Daqui resulta um ciclo fechado e equilibrado, "em que nada se cria, nada se perde e tudo se transforma". 
Como funciona esse ciclo da natureza ? Vejamos dois exemplos:
Os animais terrestres respiram o oxigénio, exalando dióxido de carbono, o qual é absorvido pelas plantas, que por sua vez o utilizam para o seu crescimento e, pelo maravilhoso processo da foto síntese, devolvem o oxigénio à atmosfera. Deste modo é mantido o dedicado equilíbrio do ar.
Os peixes alimentam-se essencialmente de pequenas partículas animais e até vegetais(já acima mencionados) e denominados "plâncton" e respiram o oxigénio dissolvido na água. Com o tempo os peixes morrem. Os micro-organismos (bactérias) contidas na água decompõem o peixe morto em elementos químicos básicos, consumindo neste processo o oxigénio em solução.
O "fito-plâncton", alimentado pelos referidos químicos, produzem oxigénio para os substituir. Por sua vez o "plâncton" de origem animal alimenta-se do "fito-plâncton", o que serve por sua vez de alimento aos peixes e o ciclo recomeça.
Podemos, portanto, concluir já que:
-O oxigénio é essencial para a vida terrestre e marinha.
-Com consequência é indispensável garantir a produção de oxigénio, o que só se consegue se:
- existir na terra vegetação, nomeadamente árvores e portanto florestas;
-existir no mar "fito-plâncton".
Qualquer modificação introduzida artificialmente no ciclo da natureza pelo homem, que se vá alterar a harmonia das proporções existentes dos diferentes elementos que caracterizam o ar e a água, põem em perigo a vida terrestre. 
Tal alteração, em que é aumentada a proporção dos elementos nocivos em relação aos benéficos, toma o nome de poluição. Esta poluição, forçosamente de diversos graus, significa que quando falamos do seu aumento, queremos dizer que diminuem proporcionalmente as possibilidades de vida. 
O grau de poluição é tanto maior quanto mais industrializado for o país, onde, consequentemente, a vida humana está mais ameaçada.     
2. A TERRA
Esta "nave espacial" que se chama o PLANETA TERRA parece imensa - uma gigantesca esfera com cerca de 6.371 km de raio. Mas nós apenas utilizamos uma pequena parte da sua superfície.
Exceptuando formas de vida muito raras, 95% de toda a vida animal concentra-se numa zona entre 90 metros abaixo do nível médio do mar e 2.850 metros de altitude. A zona total da vida possível - a BIOSFERA - situa-se entre cerca de - 10.500 m e +10.500 metros.
Uma grande parte da BIOSFERA é de baixa produtividade: 90% dos oceanos e 30% da Terra, raros de vida,  que se podem considerar desertos.
O restante suporte a actual população terrestre, calculada em 3,6 biliões de habitantes, a qual, mantendo-se o presente  ritmo de crescimento (em cada segundo há 4 nascimentos humanos), atingirá 6 biliões no ano de 2000.

3. O HOMEM
Ao longo da história primitiva o homem conseguiu viver livremente sem problemas de sobrevivência, além dos naturais.
O desenvolvimento da inteligência humana e o seu espírito criador, levou a nossa espécie a atingir uma civilização material muito afastadas das condições naturais de origem. Criando um terrível mundo industrializado e opressor da qualidade humana, que, pelo desprezo que daí resultou em relação à MÃE natureza, que transformou, maltratou, destruiu, abandonou e minimizou, quase querendo impor-se à própria criação, foi lentamente criando o embrião da sua auto-destruição, pela produção indescriminada dos mais variados produtos tóxicos, envenenando e destruindo lentamente os grandes sistemas da natureza - o AR, a TERRA, e a ÁGUA - nos quais está, a passos agigantados a alterar as proporções de origem.

A POLUIÇÃO   
Durante séculos o homem tratou a terra, o mar, e o céu, como se o Planeta, que tem seus próprios sistemas de eliminação de detritos, fossem ilimitados. Mas não são.
Lançou na atmosfera milhões de toneladas de matérias e gases tóxicos, alterando assustadoramente a percentagem destes em relação ao oxigénio, cuja produção diminuiu pela destruição progressiva da vegetação.
Poluiu a maior parte dos rios e dos lagos, destruindo a sua vegetação aquática ou contribuindo de forma alarmante para o seu crescimento, em qualquer das formas diminuiu ou eliminando o oxigénio contido nas águas, ameaçando progressivamente os próprios oceanos.
Destruiu e continua a destruir a cobertura vegetal terrestre quer por efeitos de derrubes para a abertura de espaços habitacionais, industriais e construção de estradas, quer para o aproveitamento de madeiras, sem se preocupar com um correspondente repovoamento florestal que garantisse a produção de oxigénio.
Com o uso de pesticidas afectou a sua cadeia alimentar acumulando no organismo quantidades altamente prejudiciais de elementos que alteram o próprio sistema de metabolismo, como o mercúrio, o chumbo, o DDT e o estrôncio 90.
DAMOS AGORA ALGUNS EXEMPLOS MAIS VULGARES DE POLUIÇÃO   
Quanto ao ar
As causas principais da poluição do ar são os gases dos escapes dos veículos automóveis, e dos fumos e gases produzidos pelas indústrias, pelas centrais térmicas e pelos fogos de todos os tipos.
Os milhões de automóveis, camiões, autocarros, navios e locomotivas diesel existentes que congestionam as estradas e vias férreas e nalguns pontos até os mares, e cujo número aumenta assustadoramente de dia para dia, são os responsáveis por metade da poluição total atmosférica, pelo lançamento, principalmente, de monóxido de carbono, gás altamente venenoso e asfixiante.
Os aviões a jacto se bem que causem ainda menos de 1% da poluição do ar, produzem em contrapartida vapor de água, pela combinação do hidrogénio do seu combustível com o oxigénio do ar.
Os futuros transportes aéreos supersónicos, voando na estratosfera, onde os poluentes tendem a permanecer mais tempo, devido à rarefacção do ar, provocarão sobre o clima terrestre efeitos ainda não perfeitamente determinados, mas forçosamente nocivos.
As queimadas e os fogos, além de destruírem a vegetação, roubam ao solo o azoto, enfraquecendo a sua qualidade produtiva e ao mesmo tempo lançam na atmosfera enormes massas de ar carbónico.
Quanto à água
Os esgotos urbanos, os das fábricas, toda a espécie de detritos e lixos lançados nos rios, ultrapassando em muito a capacidade de transformação das suas águas, transformam-se em poluidores.
O excesso de fertilizantes químicos usados na agricultura (nitratos e fosfatos) ao alcançarem os rios, desenvolvem excessivamente as plantas aquáticas (algas), as quais necessitam de luz solar para viver. Quando, consequentemente, se formam concentrações muito espessas de algas a luz solar não consegue penetrar até às camadas inferiores, do que resulta morrerem as algas nela situadas.
Na decomposição das algas mortas é consumido o oxigénio dissolvido na água, tornando-a assim inabitável para os peixes.
O derrame de milhões de toneladas de ramas de petróleo por ano provocado pelas explorações petrolíferas ou pelo naufrágio de navios-tanques, contém produtos químicos tóxicos que se espalham à superfície da água, matando peixes e aves e tornando impraticáveis as zonas costeiras.
As centrais termo-nucleares, cuja expansão está em todo o mundo a ritmo acelerado, necessitando de enormes massas de águas para o seu arrefecimento, lançando-as posteriormente nos rios a elevada temperatura, modificam as condições ecológicas dos mesmos, provocando a morte dos peixes. Por outro lado os desperdícios radioactivos dessas centrais, constituem um problema para a sua remoção, devido ao seu poder de contaminação.
Os pesticidas de grande efeito remanescente, de que é exemplo o DDT, levados pelos rios, lagos e oceanos, ao serem ingeridos pelos peixes, e na terra pelos animais que constituem a alimentação humana, afectam seriamente o equilíbrio do ser humano, quando deles se alimenta.
Quanto à Terra
A mineração, que atinge em todo o mundo enormes proporções, pelo uso de modernas e potentes maquinarias, origina a devastação total de áreas imensas, que assim passam a constitui autênticos desertos, não só pela destruição da sua vegetação, como pela consequente erosão provocada pelas chuvas.
O constante derrube de árvores já mencionado e os "cortes de madeira" que por toda a parte proliferam, sem o necessário compensador repovoamento florestal, contribuem para eliminar progressivamente da superfície terrestre, o mais importante produtor de oxigénio - a ÁRVORE.
A existência de lixos, principalmente nas grandes cidades, contendo cada vez maior percentagem de objectos não biodeterioráveis (alumínio, plásticos, garrafas, etc.) constituem um tremendo problema de colocação, porque a natureza não os pode transformar por corrosão.
As poeiras radio-activas provenientes das explosões de bombas ou experiências atómicas ou nucleares, poluem igualmente a terra, o ar e água, muito para além do seu próprio poder destruidor directo, provocando efeitos remanescentes de longa duração e terríveis efeitos sobre a própria genética humana.

MEDIDAS EM CURSO
Ao nível mundial, principalmente nos países altamente industrializados, estão sendo tomadas severas medidas e dedicadas enormes verbas para combater a poluição nos seus diversos aspectos e, num mínimo, conseguir não agravar o nosso meio ambiente.
No aspecto de motores, fazem-se árduos estudos e já até em larga utilização, pequenos automóveis eléctricos destinados a substituir  na circulação urbana os congéneres accionados a motor de explosão.
Purificador de fumos das chaminés das fábricas, centrais terciárias depuradoras de esgotos e águas e outras medidas tendentes a minorar a toxidade do ar que respiramos, dos alimentos que comemos e da água que bebemos, estão na ordem do dia.
Em Junho findo, o próprio conselho da OTAN, reuniu em Lisboa, através de um seu organismo especial, se debruçou afincadamente sobre o flagelo da poluição, colocando à frente de alguns assuntos de carácter militar, aquilo que foi chamado de "terceira dimensão", ou seja, a preocupação de cumprir a tarefa de tornar o mundo habitável pelo homem.
CONHECIMENTOS E CONSCIÊNCIA
É preciso no entanto que todo o seu humano tenha consciência de todos estes problemas e cada um, cìvicamente, pode e deve contribuir com o seu esforço pessoal para combater a poluição nos seus mais variados aspectos, contribuindo no mínimo possível para ela.
Restringir o uso de pesticidas e de fertilizantes artificiais ao mínimo, evitando o uso de insecticidas de longo poder remanescente como o terrível DDT, usando quantidades mínimas de detergentes e deixando de encarar os rios, os lagos e os oceanos como um infinito receptáculo para todos os lixos, desperdícios e produtos nocivos criados pela própria mão do homem.
A deterioração do ambiente - ar, água e terra - continuando ao ritmo actual, conduzir-nos-á a um ponto crítico da vida humana à superfície da Terra. Ainda não é tarde para nos esclarecermos.
Quanto mais conhecermos do mundo em que vivemos e dos seus fenómenos, tanto mais habilitados estaremos a contribuir para a sua conservação.
O número de gerações que ainda poderão ter ambiente favorável à vida, depende de nós determiná-lo.
É assim todo um desafio à inteligência e consciência humanas que se lança, no sentido de coordenar por um lado, o progresso tecnológico que é hoje irreversível e o aumento assustador da natalidade (6 biliões de habitantes no ano de 2000 como se disse), com o exíguo espaço habitável da Biosfera que dispomos, e a redução da poluição, por outro. É a sobrevivência da Humanidade que está em jogo; salvemos o nosso Planeta, pois é o único que temos e onde, segundo os conhecimentos actuais, a vida é possível.  
Autor,
Major Rubi Marques
Publicado no Jornal "Estilhaço" em Setembro de 1971.

SAUDAÇÃO CAMARADAS

Velhos e novos, experientes e não experientes, confusos e explícitos, mais ou menos aplicados, profissionais ou não profissionais, todos souberam compenetrar-se do papel a desempenhar. Todos acamaradaram.
Não há duvidas. Por paradoxal que pareça é no serviço militar que mais se desenvolve este espírito e chega-se até ao grau de sincera amizade.
Falou-se, discutiu-se mas aclararam-se pontos que pareciam inicialmente obscuros. Analisaram-se os prós e os contras de uma boa camaradagem.
Sentiu-se necessidade dela para uma boa colaboração e, sem pactos, apercebemos-nos e enveredamos pelo melhor caminho .
Hoje poderemos orgulhar-nos da compreensão mútua que existe no nosso seio. Os mais velhos e os mais jovens toleram as perrices próprias do estado psíquico que se cria nestas circunstâncias e deixamo-nos rir perante problemas pessoais que à prior poderiam parecer graves.
Aproximando-se o final da comissão, é com certa alegria que notamos que se passam os dias mas não deixa de haver já, uma percepção de saudade, ao pensar-se que após dois anos de convivência seguirá cada elemento à sua vida e que com certeza ficarão somente na nossa memória as recordações que pela sensibilidade com que nos tocaram, jamais serão esquecidas.
Acredito que não se sinta ainda essa saudade, tão ávidos nos encontramos para regressar à companhia dos nossos. Mas quem não recordará os bons e maus momentos que passámos durante estes meses e que afinal fazem todos parte da nossa vida no Ultramar?
Regozijo-me por ter pertencido a esta comunidade durante mais de dois anos. Fico satisfeito com os camaradas que me rodearam e oxalá que também tenha sido para vós um bom elemento.
Os bons momentos, a simpatia, a compreensão, o respeito e a consideração fazem com que passe ao esquecimento qualquer acção que pudesse provocar ressentimento.
Ides vós, outros virão, como já outros passaram deixando sempre gratas recordações de boa camaradagem.
Eis o meu abraço!...
Simões Ribeiro
1º.Sargento Artª.
(Publicado no último número do Jornal "Estilhaço" em Setembro de 1971)

DIA DA INSPECÇÃO MILITAR NO BALEIZÃO

Em todo o Alentejo os dias das inspecções são dias de festas para os mancebos.
Não podia fugir à tradição, Baleizão uma das terras mais castiças do Baixo Alentejo.
O programa normal das festas para os rapazes de Baleizão é:
1º.dia: Cinema em Beja;
2º.dia; Boda e baile em Baleizão.
Nas inspecções de 1955 apresentou-se em Beja um mancebo de Baleizão preparado para fingir cego e ficar "livre". Queixou-se ao médico que era cego, não via absolutamente nada. Não porque o médico fosse enganado, mas porque o número de pessoal era superior ao necessário, o mancebo ficou "livre". Á noite à entrada do cinema o médico reconheceu e dirigiu-se a ele e disse-lhe: - "Então ficaste livre porque me disseste que és cego, e agora estás no Cinema?
O mancebo a fingir-se muito perturbado e cego replicou: - "Oh! Senhor Doutor, Então não estou assentado na camioneta para Baleizão?"      
Autor,
desconhecido

ARTE SEM MISTÉRIO

Muita gente imagina que a arte do Serviço de Saúde está ligada a factos misteriosos, cujo conhecimento, seja portanto privilégio de algumas criaturas com poderes sobrenaturais. Puro engano: pode-se aprender facilmente desde que bem ensinada. O nosso curso, único na especialidade em toda a Metrópole, possui esse dom: o de ensinar centenas de truques desde o fazer pensos até às transfusões de sangue, o que requere sobretudo prática. 
Você aprenderá desde o segredo de curar micoses com pomadas próprias, até às injecções de água destilada, injectadas em doentes que em especial sofrem de dores musculares.
Fornecem-nos dezenas de ilustrações, esquemas, conselhos e orientações.
Como amador, por exemplo, você actuará no nosso Posto de Socorros sob a vigilância e os olhares dos nossos enfermeiros profissionais.
Como profissionais é imenso o campo de trabalho e o mais bem pago, pois tem dispensa da formatura da manhã, o que lhe favorece grandes vantagens para o melhor acolhimento dos nossos irmãos de cor.
O nosso curso, além da sua imensa vantagem oferece carteira válida em toda a Província, assistência permanente, material de aprendizagem grátis e ainda um artístico diploma no final do curso.
Aos interessados rogamos a fineza de se dirigirem ao nosso Posto de Socorros algures nesta Província.
Autor,
Joaquim de Almeida Amorim
Soldado Maqueiro       
Contracapa do último Jornal - Setembro de 1971


CAMINHOS DE FERRO DE BENGUELA - ANGOLA 
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